Por que Perdizes tem tantas ruas com nomes indígenas?
Quem anda por Perdizes certamente já reparou em nomes como Turiassu, Apiacás, Apinajés, Cayowaá, Cotoxó e Tucuna. Essa concentração de nomes de origem ou referência indígena não é apenas uma coincidência: durante o processo de formação e expansão do bairro, a temática indígena passou a ser utilizada na denominação de diversos logradouros da região.
A primeira via do bairro a receber um nome de origem tupi teria sido a Rua Turiassu, em 1897. Anos depois, em 1916, outras ruas passaram a seguir temática semelhante, entre elas Traipu, Itapicuru e Caetés.
O padrão ganhou ainda mais força em 1921, quando diferentes vias receberam nomes associados a povos indígenas. É nesse contexto que aparecem ruas como Apiacás, Apinajés, Cayowaá, Cotoxó, Iperoig e Tucuna, ajudando a criar uma característica que permanece bastante visível no mapa da região até hoje.
Além dos nomes associados a povos e referências indígenas, a região também passou a preservar nomes de personagens históricos relacionados ao período colonial e à história indígena, como Aimberê e Bartira.
Essa escolha também se insere em um fenômeno muito maior de São Paulo. A presença indígena deixou marcas profundas na própria geografia e na maneira como os paulistanos identificam seus lugares. Nomes como Tietê, Pacaembu, Ibirapuera, Butantã, Anhangabaú e Tatuapé, por exemplo, revelam como palavras de origem indígena permaneceram incorporadas ao cotidiano da cidade.
No caso de Perdizes, porém, existe uma particularidade interessante: vários desses nomes aparecem concentrados em uma mesma região e foram adotados em diferentes etapas da urbanização do bairro, indicando a utilização deliberada de uma temática indígena para a denominação das ruas.
Mas por que escolheram justamente nomes indígenas?
Aqui existe uma curiosidade histórica ainda maior. Há registros que permitem identificar quando diversos desses nomes começaram a ser utilizados e demonstram a existência dessa temática indígena, mas não é tão simples encontrar documentação que explique claramente quem idealizou o conjunto ou qual foi a motivação exata para a escolha.
Por isso, seria precipitado afirmar, sem documentação específica, que os nomes foram escolhidos simplesmente como uma “homenagem aos primeiros habitantes do Brasil”. O que podemos afirmar é que a temática indígena foi adotada de maneira recorrente na nomenclatura das ruas da região, especialmente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Hoje, mais de um século depois, essa decisão permanece registrada no próprio mapa de Perdizes.
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